quarta-feira, março 22, 2006

A Construção do Amor....

Ele começou no Domingo a construir o Amor
Porque não era dia de descanso mas o primeiro dia.
E no Domingo, dia primeiro do Amor,
Olhou-a nos olhos, estendeu-lhe a mão,
Disse-lhe: Eu quero-te.
E nada pedindo e nada esperando
Colocou a primeira pedra e iniciou a construção.
Na Segunda-Feira ao falar-lhe deu-se verdadeiro:
- Dou-te todo o tempo, dou-te os meus dias,
O meu tempo será o teu enquanto quiseres.
Ela olhou-o, entendeu a espera,
Entendeu a esperança e a construção.
Na Terça-Feira ela disse do medo
De todas as dúvidas e interrogações,
Ele ouviu-a em silêncio, calmo e tranquilo
E deu-lhe na voz o que o que sentia dentro:
- Estarei sempre aqui, nada pedirei,
Só para te ver, só para te ouvir.
E ao dizer de um amor que nada esperando, se dava
Na Terça-Feira, dia três da construção,
A terceira pedra foi colada e colocada.
Na Quarta-Feira quando a noite se punha
E a hora sombria para ela começava
Ouviu a voz que lhe afastou o medo
Que segura e serenamente lhe dizia:
- Estou aqui, velarei por ti
Acenderei uma luz, guiar-te-ei os sonhos.
E no quarto dia, quarta-feira, noite,
Não dormiu por ela noite e madrugada
E protegeu-lhe o sono e afastou o escuro
E dando-lhe o seu sono ofereceu-lhe a paz.
No quinto dia da construção do Amor
Ofereceu-lhe o riso e a alegria
Inventou palavras, brincadeiras tantas
Que na Quinta-Feira a pedra colocada
Tinha tantas cores, tinha tanto brilho
Que ela redescobriu o riso, as cores do dia.
Na Sexta-Feira ele nada fez
E ela sentiu a ausência no dia,
A ausência da mão que lhe guiava os passos
A ausência do Amor que ele lhe trazia
E ao fazer-se ausente ela descobriu
O que no silêncio ele lhe dizia:
Que seria o silêncio se ela assim o quisesse
Que ficaria calado, vendo-a de longe
Que seria sombra que a seguiria.
No sétimo dia ela procurou-o
Procurou-lhe o corpo, procurou-lhe os braços:
- Tudo o que me deste te dou hoje a ti,
Disse-lhe com voz de quem se entrega inteira.
E no dia último da construção do Amor
Fizeram Amor como antes ninguém fizera
Porque era Sábado
Último dia da contrução
Porque era o dia último e a vez primeira.



In "Encandescente", pág. 14, edição Polvo 2005

3 comentários:

florzinhanina disse...

lindo lindo...
que lindo
amei

Anónimo disse...

sem comentários....
abelha maia
(vou MESMO comprar o livro)

Anónimo disse...

hum....tá bonito tá.......mas e que tal fazeres aqui como o teu primo e escreveres um texto teu? havia de ser engraçado.....pa entrarmos em competição :P

kurotenshi